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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Acidentes de trânsito em Sobral: um problema sem solução

O fluxo do trânsito de Sobral entrou definitivamente na pauta das preocupações dos gestores da cidade. Isto, porque, tanto na sede como nos distritos, os acidentes fatais, ou não, envolvendo veículos tomou proporções preocupantes. Uma breve estatística da Coordenadoria de Trânsito e Transporte Urbano de Sobral (CTTU), dá a dimensão exata dos acidentes de trânsito no município. Segundo o órgão, são 63.124 veículos trafegando em Sobral, com 32.942 condutores devidamente habilitados.

Em 2011 foram registrados 767 acidentes, com oito mortes e 520 feridos. Nestes acidentes 939 pessoas saíram ilesas. Em 2012, de janeiro a abril, já foram registrados 270 acidentes, com quatro mortes e 142 feridos, e 320 pessoas saindo ilesas destes acidentes. Ainda neste quadro, em 2011, os acidentes de trânsito registrados pela CTTU envolveram 554 motocicletas, 504 automóveis, 85 caminhonetes, 23 ônibus e 64 caminhões. Já a Santa Casa de Misericórdia de Sobral contabiliza os custos destes acidentes na principal porta de entrada do hospital, que é a sua emergência. De janeiro a junho, deste ano, já foram registrados 1.171 atendimentos de urgência decorrentes de quedas ou colisões de motos e 289 envolvendo acidentes com carros.

 Apesar de tratar-se de um problema localizado, o tema “acidentes de trânsito” e as suas nefastas consequências para os cofres públicos, bem como o caos que provoca nas emergências hospitalares, não é exclusividade Sobral. Em matéria veiculada em um periódico da capital, o Ceará é o segundo estado do Nordeste em gasto com motociclistas, vítimas de acidentes de trânsito. “No Ceará, o custo de internações por acidentes com motociclistas pagas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu 196%, segundo levantamento do Ministério da Saúde. O Estado foi o segundo do Nordeste que mais gastou, entre 2008 e 2011, passando de R$ 1,8 milhão para R$ 5,3 milhões. O aumento dos custos é uma consequência das internações, que passaram de 1.809 para 5.129 vítimas no mesmo período. O número de mortes por esse tipo de acidente também cresceu. Foram 533, em 2008, e 701, em 2010”, veiculou o noticioso.

Segundo o Secretário da Saúde do Estado, Arruda Bartos, o aumento dos números não é um problema apenas do Ceará, mas de todo Brasil. “O trabalho de conscientização no trânsito é da sociedade civil, das entidades educacionais e dos órgãos de segurança. Porém, trabalho nenhum adianta se a população insistir em bebidas alcoólicas e no não uso do capacete”, afirma. Para isso, Arruda Bastos declara que a fiscalização deve ser rígida não apenas na Capital, mas também nos municípios. Como se vê na fala do Secretário, o problema dos acidentes de trânsito extrapola o poder de conscientização e ignora a fiscalização do Estado.
Fiscalização

Quando se aborda a questão da fiscalização, descobre-se o quanto são ineficientes os órgãos públicos, municipal e estadual, em sua tarefa de autuar os infratores e recolher os seus veículos. Nesta ineficácia, inclua-se também as campanhas de conscientização que promovem. Por mais que se promova campanhas de alerta, muita delas bem agressivas, por mais que se realizem blitzes e autuações, o número de condutores dirigindo sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), alcoolizados e de forma imprudente, aumenta a cada dia, destruindo vidas e lares. Este três fatores, já identificados como as principais causas dos acidentes fatais, são banalizados ou ignorados por aqueles que teimam em transgredir as leis de trânsito. O pior disso tudo é que ninguém consegue fazer nada para impedir os absurdos provocados pelos transgressores, que na maioria dos casos saem ilesos ou impunes dos acidentes que provocam.

Quem já foi vítima, ou perdeu algum ente querido por conta de uma irresponsabilidade de um condutor de veículo, conhece bem esta dor, além do sentimento de revolta diante de tanta impunidade. A doméstica Eliane Feitosa, moradora da cidade de Forquilha, perdeu a sua mãe de 72 anos, ano passado, vítima de um motociclista que conduzia a sua moto em alta velocidade, alcoolizado e sem habilitação. “A minha mãe vinha caminhando no acostamento da pista, quando passou um rapaz, morto de bêbado, e bateu nela. Ela foi jogada longe, bateu a cabeça no chão. Foi pra Santa Casa, mas não teve jeito. Ele se levantou, apareceram uns amigos dele na hora, levaram ele e a moto embora. Ficou por isso mesmo, não deu em nada. Depois ele tava guiando a mesma moto e eu soube que ele não tinha nem carteira de motorista. A gente foi quem perdeu nossa mãezinha”, relata emocionada e revoltada a doméstica.

Comoção

Recentemente, no dia 23 de junho, na tarde de sábado, um acidente de trânsito, ocorrido no centro da cidade, foi motivo de muita discussão e comoção. A jovem Raiane Vasconcelos, 16 anos, morreu depois que a motocicleta que pilotava foi colhida pelo carro guiado por Cristiano Carvalho, 25 anos. De ambas as partes surgiram muitas versões para justificar o ocorrido. Familiares e amigos da jovem relatam alta velocidade e imprudência do motorista. Durante o velório de Raiane Ponte o clima era de dor e clamor por justiça, para que o caso não caia na vala do esquecimento e o acusado seja punido na forma da lei. Já do lado do condutor, a falta de freios foi a causa do acidente, além do entendimento de que a jovem não poderia estar guiando a motocicleta sem a devida habilitação. Apenas a perícia e uma rigorosa investigação poderá pôr fim ao caso. A realidade é que os números dos acidentes apresentados no início desta matéria mostram que Sobral perdeu o status de cidade de trânsito tranquilo e passa agora a engrossar as estatísticas das cidades que têm um trânsito violento e caótico. (Por: Vanderley Moreira – Jornalista Profissional - CE01641JP).
 

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